Uma menina cheia de sonhos
Um amor que mal cabia no peito
Uma dor que corroía e disputava espaço
Tão jovem e cheia de sonhos
Seu destino era se casar
Com o moço mais formoso daquele lugar
A casa foi ficando pequena
Já não tinha onde ficar
Era milho
Era algodão
Era mamona
Era todo tipo de grão
A esperança dela voltou
Poderia ajudar aqueles que tanto amou
Ela já não estava tão sozinha
Tinha com quem se preocupar
As crianças estão chorando!
Gritara o seu José lá da mercearia
A casa foi crescendo a passos largos
Os negócios ampliando
A família aumentando
É! O seu José tinha que negociar
Era tempo de seca
Não chovia naquele sertão
O gado estava morrendo
A água desaparecendo
Já não tinha solução
Tudo estava sumindo
O milho
O algodão
A mamona
Toda a plantação
Era hora de embarcar
Iam pelejar
Para um lugar onde seria contada
A outra parte dessa história

Chegando lá
Começou uma luta
Era menino demais
Seu José tinha que arregaçar as mangas
Coração de ouro
Foi logo entregando o seu tesouro
Pouco a pouco
As coisas foram se aprumando
Haviam encontrado uma solução
Mas a vida tem seu percurso
O destino tinha que se cumprir
Seu José adoecera
E agora o que iam fazer?
Ao meio dia cerrou-se os dentes
A sombra da morte chegou
Quem era aquele homem diante dela?
Ele descansou
Começara a luta novamente
Dona Maria deixara de ser menina
Para se tornar o alicerce da família
Junto ao ribeiro ela fora morar
Muita luta
Muitas provas
Eles tinham que passar
A meninada cresceu
Bateram asas
Sozinha ela ficou
Mas nunca desanimou
Agora era ela mulher de negócios
Sorriso nos lábios
Com sua balança de cobre
Com precisão pesava os grãos
Era assim todas as suas manhãs e tardes
Sem descanso, não
Mas assim como para o seu José
Para ela também chegou
O que para ele foi rápido
Para ela demorou
Dona Maria já não podia andar
Viu a vida passar diante de seus olhos
Sem poder desfrutar
Fazia de tudo para não parar
Até que ela pode descansar
O barco velejara sem destino
Numa dor sem fim
Nos olhos daqueles
A quem um dia tanto amou
O mar se enfureceu
Se quebrantou
Atracou-se no paraíso
Em tempo
Que não é tempo
Mas que será o tempo
Dona Maria fora vista no jardim
Rodopiava em trajes azul celeste
Em uma alegria sem fim
Que nunca olhos viram
Nem ouvidos ouviram
Maria não aparecera
Voara como águia
Eu pude ver
Ao ressoar
Para os braços dAquele que há de nos receber
Eu pude ver

J Nobre.

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